[DICA DE ESCRITA] Como pontuar diálogos



[DICA DE ESCRITA] Como pontuar diálogos

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Oi, gente! Aqui é a Jana.

No livro Como escrever diálogos: A arte de desenvolver o diálogo no romance e no conto (Editora Gutenberg), Silvia Adela Kohan diz que o bom diálogo é uma forma narrativa das mais convincentes, uma estratégia literária que aproxima o leitor dos personagens por ser uma maneira de apresentar suas falas sem intermediário aparente.

Dependendo do tipo de discurso escolhido, a formatação adequada do texto se torna importante pra garantir a clareza do enunciado. Apesar de ser um recurso presente na grande maioria das obras de prosa de ficção, minha breve experiência com textos de autores iniciantes — em especial durante a análise do material enviado para o primeiro processo de seleção da Revista Mafagafo, da qual sou editora — mostra que pontuar e formatar corretamente os diálogos ainda é uma dificuldade comum.

Por isso, resolvi compilar todas as questões importantes sobre o tema, incluindo exemplos. A ideia é que esse texto seja um guia prático pra consulta em caso de dúvida, mas também achei importante tocar nos aspectos mais teóricos da questão. Pra facilitar a consulta desse texto de acordo com a sua necessidade, os tópicos abordados estão divididos segundo o sumário com links abaixo:

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1) DEFINIÇÕES E REGRAS GERAIS
1.1 Verbos de elocução (dicendi ou sentiendi)
1.2 Tipos de discurso
1.3 Quebra de parágrafos
1.4 Posição dos sujeitos (pronomes pessoais ou substantivos)
1.5 Escolha de travessão, aspas ou diálogo sem sinalização tipográfica

2) USANDO O TRAVESSÃO PARA SINALIZAR O DIÁLOGO
2.1 Hífen, traço médio e travessão
2.2 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo com verbo dicendi/sentiendi
2.3 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo comum
2.4 Como pontuar diálogo precedido por trecho narrativo terminado em verbo dicendi/sentiendi
2.5 Como pontuar uma fala dividida em múltiplos parágrafos
2.6 Como pontuar diálogo dentro de diálogo

3) USANDO ASPAS PARA SINALIZAR O DIÁLOGO
3.1 Posição das aspas
3.2 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo com verbo dicendi/sentiendi
3.3 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo comum
3.4 Como pontuar diálogo precedido por trecho narrativo terminado em verbo dicendi/sentiendi
3.5 Como pontuar uma fala dividida em múltiplos parágrafos
3.6 Pensamentos
3.7 Diferença entre a pontuação de diálogos no inglês e no português brasileiro

4) AGRADECIMENTOS E REFERÊNCIAS

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Os exemplos apresentados ao longo desse texto foram extraídos dos livros:

As marcações especiais (negrito e sublinhado) nos textos usados como exemplos foram feitos apenas para destacar o que foi explicado — e, portanto, não estão presentes no texto original.

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1) DEFINIÇÕES E REGRAS GERAIS
Antes de falar sobre as regras de pontuação do diálogo, que dependem do estilo de pontuação escolhido pelo autor, editor ou tradutor de um texto — uso de travessão ou aspas —, achei válido introduzir algumas definições presente nestas regras e apresentar também regras que possuem aplicação geral.

1.1 Verbos de elocução (dicendi ou sentiendi)
Segundo Othom M. Garcia, autor de Comunicação em Prosa Moderna (Editora FGV), verbos dicendi são aqueles verbos de elocução que indicam qual interlocutor está com a palavra. Em outras palavras, são os verbos que explicam um ato oral, como dizer, perguntar, responder, retrucar, continuar, finalizar, concordar e exclamar, entre outros. Verbos sentiendi, por sua vez, são aqueles que exprimem emoções, estados de espírito ou reações psicológicas do personagem, como por exemplo balbuciar, berrar, gaguejar, gemer, suspirar ou lamentar.

1.2 Tipos de discurso
Em sua Moderna Gramática Portuguesa (Editora Nova Fronteira), Evanildo Bechara apresenta os discursos direto, indireto e indireto livre em função da maneira com que os verbos dicendi e sentiendi são inseridos nas orações. O discurso direto é aquele em que o autor reproduz as palavras do interlocutor com ajuda explícita ou não dos verbos dicendi e sentiendi.

EXEMPLO DE DISCURSO DIRETO COM USO DE VERBOS DICENDI OU SENTIENDI — Você veio andando o caminho todo de Kaniere até aqui? — perguntou Clinch. Certamente não havia caminhado quatro milhas, não quando ela mal conseguia manter a cabeça erguida! Não quando ela mal conseguia parar em pé! Ela cantarolou novamente, quebrando a melodia em duas partes, para indicar uma resposta negativa. — Como veio, então? — disse Clinch. — Dick estava passando por perto — balbuciou ela. (Os Luminares, página 271)

O discurso indireto é aquele em que, segundo Bechara, “os verbos dicendi se inserem na oração principal de uma oração complexa tendo por subordinada as porções do enunciado que reproduzem as palavras próprias ou do nosso interlocutor. Introduzem-se pelo transpositor que, pela dubitativa se e pelos pronomes e advérbios de natureza pronominal” (página 482).

EXEMPLO DE DISCURSO INDIRETO Explicou que ele cuidara de Anna quando ela fora solta do cárcere duas semanas antes, e desde então tentara granjear sua amizade. (Os Luminares, página 356)

Por fim, o discurso indireto livre introduz a fala do personagem sem nenhum elo com os verbos dicendi, e tem a particularidade de poder manter as interrogações e exclamações da oração originária.

EXEMPLO DE DISCURSO INDIRETO LIVRE Essa quantia deveria ser paga à sra. Wells assim que a fortuna estivesse desimpedida pelo Banco Central, e em qualquer moeda que a viúva desejasse. A sra. Wells tinha alguma coisa a objetar? Não, não tinha — mas ela deu a Aubert Gascoigne um sorriso muito amplo ao se retirar do tribunal, e ele viu que os olhos dela estavam brilhando. (Os Luminares, página 594)

1.3 Quebra de Parágrafo
Independente do estilo de pontuação escolhido, toda troca de turno conversacional — ou seja, toda alternância de locutor — deve ser marcada pela mudança de parágrafo. É recomendado manter a fala de um mesmo personagem em um só parágrafo, mas exceções podem ser abertas em caso de 1) falas interrompidas por trechos narrativos ou 2) falas muito extensas.  No primeiro caso, o parágrafo pode ser quebrado e, depois do trecho narrativo, pode ser retomado com alguma indicação de continuidade como continuou, prosseguiu ou retomou.

EXEMPLO DE FALA INTERROMPIDA POR TRECHO NARRATIVO — Lydia Wells — começou Lauderback — é a dona de um estabelecimento em Dunedin cujo nome eu preferiria dizer somente uma vez, se não se importar. O lugar se chama A Casa dos Muitos Desejos. Um nome infeliz, realmente. Suponho que você já tenha ouvido falar desse lugar. Balfour assentiu, mas discretamente, de modo a não implicar nem familiaridade nem total ignorância. O estabelecimento ao qual Lauderback se referia era uma casa de jogos da mais baixa estirpe, famosa por suas altas apostas e por suas dançarinas. — Lydia era… uma velha conhecida minha nesse lugar — continuou Lauderback. — Não envolvia dinheiro. Não houve transação financeira, entenda-me bem. Entenda-me, porque é a verdade. — Ele tentou encarar Balfour, mas os olhos do agente portuário estavam baixos. — Enfim — disse Lauderback depois de um instante — sempre que eu ia a Dunedin, eu a visitava. (Os Luminares, página 80)

O segundo caso será abordado nos itens 2.5 e 3.5

1.4 Posição dos sujeitos (pronomes pessoais ou substantivos)
A posição dos sujeitos (pronomes pessoais ou substantivos) é uma questão de escolha do autor, tradutor ou editor do texto: o pronome pode aparecer antes do verbo, depois do verbo ou pode até ser suprimido, caso o interlocutor já tenha sido apresentado antes.

EXEMPLO DE SUJEITO ANTES DO VERBO “Esqueceu seu bom humor com as rosas?”, ela comentou, dando uma baforada. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 82)

EXEMPLO DE SUJEITO DEPOIS DO VERBO “Ora ora, que surpresa”, disse o guitarrista, olhando-o de cima a baixo. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 117)

EXEMPLO DE SUJEITO OCULTO Liz se sentou na borda, mirou-o por sobre os ombros e voltou sua atenção para Tiago. “Chegou a hora de implorar pelo meu amor”, falou, citando a letra de sua música, para logo em seguida abrir as pernas. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 148)

1.5 Escolha de travessão, aspas ou diálogo sem sinalização tipográfica
Esta também é uma questão de escolha do autor, tradutor ou editor do texto. Porém, a tradição tipográfica brasileira propõe o uso do travessão, sistema de diálogo que é definido como padrão nos manuais de redação e guias de estilo da maior parte das maiores editoras do país (isso se aplica, em geral, a todas as línguas latinas). Em O Livro: manual de preparação e revisão, Ildete Oliveira Pinto diz que as aspas ficam restritas a dois casos: para realçar a fala que não segue uma réplica ou para assinalar um discurso direto dentro de outro discurso indireto.

EXEMPLO DE FALA QUE NÃO SEGUE UMA RÉPLICA Mas Balfour não estava particularmente certo disso, tampouco se sentia inclinado a estar. Ele protestou e, após uma breve negociação, Lauderback concordou em deixar de fora o nome de Nilssen, “embora eu não deva poupar George Shepard da mesma cortesia”, acrescentou ele, e riu novamente. (Os Luminares, página 594)

O segundo caso será abordado no item 2.6.

Outra possibilidade é não utilizar sinalização tipográfica alguma para demarcar os diálogos. Nesse caso, estes são introduzidos no meio da prosa sem demarcação alguma ou seguindo os padrões de pontuação de diálogos que utilizam as aspas, conforme itens 3.2, 3.3 e 3.4. Os diálogos inclusos no meio do discurso livre indireto também não são demarcados, conforme mostrado no item 1.2.

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2) USANDO O TRAVESSÃO PARA SINALIZAR O DIÁLOGO

2.1 Hífen, traço médio e travessão
A primeira coisa a se notar no caso da escolha desse padrão tipográfico é o uso do sinal correto para indicar os diálogos. O hífen, a meia-risca e o travessão costumam ser frequentemente confundidos entre si, mas como o Rodrigo van Kampen fala nesse texto, “existe um motivo pra sinais gráficos existirem” e é essencial utilizar cada sinal em sua devida aplicação. Veja a diferença entre os três sinais:

Hífen ou traço de união: –

Traço médio ou traço de divisão: –

Travessão: —

O hífen é usado para ligar duas palavras, como em bem-vindo, e apresenta uma tecla direta no teclado com padrão brasileiro. A meia-risca pode ser usada para ligar valores extremos de uma série, como em 0–10, e geralmente pode ser inserido através de atalhos no processador de texto (no Microsoft Word, o atalho é Alt + 0150). O travessão também pode ser inserido por um atalho (Alt + 0151 no Microsoft Word) e, além de ser utilizado para indicar mudança de interlocutor na transcrição de um diálogo, também pode substituir vírgulas, parênteses e colchetes para isolar palavras ou frases em um contexto ou ainda destacar enfaticamente o fim de um enunciado, conforme explicam Celso Cunha e Lindley Cintra na Nova gramática do português contemporâneo.

EXEMPLO DE USO DO DUPLO TRAVESSÃO EM SUBSTITUIÇÃO ÀS VÍRGULAS PARA ISOLAR UM APOSTO O fornecedor de Pritchard para todos os tipos de opiáceos era um homem chamado Francis Carver. Ele agora refletia. O homem era um ex-presidiário, que em consequência disso tinha má reputação; com Pritchard, no entanto, ele sempre fora cortês e justo, e Pritchard não tinha razões para pensar que Carver pudesse querer a ele — ou a seus negócios — qualquer tipo de mal. (Os Luminares, página 183)

EXEMPLO DE USO DO TRAVESSÃO PARA DESTACAR ENFATICAMENTE O FIM DE UM ENUNCIADO E ele havia sido casado. Agathe Gascoigne — Agathe Prideaux, como a conhecera antes. (Os Luminares, página 263)

Eventualmente, manuais de redação e guias de estilo padronizam o traço médio (Alt + 0150) como sinal de transcrição de diálogos, mas o hífen jamais é utilizado nessas circunstâncias.

Alguns processadores de texto substituem automaticamente o hífen duplo (–) por travessão. De qualquer maneira, se o autor não quiser utilizar os atalhos ao longo da escrita pra inserir travessões ou o traços-médios no texto, o uso do hífen duplo é indicado pois, posteriormente, é possível substituir todos os hifens duplos pelo sinal gráfico de escolha. Isso é impossível no caso do uso do hífen simples pra demarcação de diálogos, já que nesse caso a substituição automática também substituiria os hifens aplicados corretamente, transformando, por exemplo, bem-vindo em bem—vindo, uso inadequado do travessão.

2.2 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo com verbo dicendi/sentiendi
No caso de diálogo seguido de trecho narrativo com verbo dicendi ou sentiendi, o diálogo não deve ser pontuado com ponto final e o trecho narrativo subsequente deve sempre começar com letra minúscula, mesmo quando o diálogo termina com ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências, pois se entende a parte dialógica e a parte narrativa juntas compõem uma única frase.

EXEMPLO DE DIÁLOGO SEM PONTUAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI ou SENTIENDI — Sim, senhor — respondeu Albert do escritório externo. (Os Luminares, página 162)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE EXCLAMAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI ou SENTIENDI — Ai de mim! — disse Shepard. — São apenas meus para que os vigie. (Os Luminares, página 263)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE INTERROGAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI ou SENTIENDI — Você não sabe? — disse Gascoigne. (Os Luminares, página 241)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM RETICÊNCIAS SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI ou SENTIENDI — Bem... — disse Balfour novamente. — Talvez devêssemos ser otimistas. (Os Luminares, página 92)

Uma linha de diálogo pode ser interrompida no meio por uma oração contendo um verbo dicendi ou sentiendi. Se entre o primeiro e segundo elemento desta uma fala houver uma vírgula, ela é colocada após o segundo travessão. Em ambos os casos, a oração intercalada contendo o verbo dicendi ou sentiendi não é pontuada.

EXEMPLO DE DIÁLOGO INTERROMPIDO POR UM TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI ou SENTIENDI — Eu lhe concederei o empréstimo e os meus serviços comissionados — disse ele enfim. Sua voz era baixa. Ele empurrou à sua frente as plantas do arquiteto. — Por favor, espere só um momento — acrescentou ele — enquanto registro os materiais de que precisa. (Os Luminares, página 92)

EXEMPLO DE DIÁLOGO COM VÍRGULA INTERROMPIDO POR UM TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI ou SENTIENDI — Senhor Gascoigne — disse Moody, levantando a mão —, apesar de minha juventude, possuo certo acúmulo de sabedoria sobre o sexo frágil e posso lhe dizer categoricamente que as mulheres não gostam quando as outras mulheres usam suas roupas sem lhes pedir autorização. (Os Luminares, página 416)

2.3 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo comum
No caso de diálogo seguido de trecho narrativo comum, sem um verbo dicendi ou sentiendi, o diálogo deve ser pontuado (com ponto final, interrogação, exclamação ou reticências) e o trecho narrativo deve ser, necessariamente, iniciado com caixa alta.

EXEMPLO DE DIÁLOGO SEM PONTUAÇÃO ESPECIAL SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUM — Para sua nova paróquia — disse Balfour ignorando-o. — Estão realizando um enforcamento. — Ele pôs o chapéu, empurrou-o da resta para trás com o polegar e virou-se para sair. Na porta, demorou-se. — Eu não sei o seu nome, reverendo — disse ele. (Os Luminares, página 162)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE EXCLAMAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUMLO DE DIÁLOGO SEM PONTUAÇÃO ESPECIAL SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUM — Ora! — Ela levantou-se um pouco mais no canapé. — Então eu canalizei o fantasma de um homem chinês! (Os Luminares, página 543)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE INTERROGAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUM — E que confusão toda é essa? — Ela gesticulou fracamente em direção à mesa chamuscada e aos destroços do fogo. (Os Luminares, página 543)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM RETICÊNCIAS SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO COMUM — Sei que isso soa muito esquisito — disse ele —, mas não estou totalmente certo de que o homem dentro do caixote de transportes estivesse mesmo vivo. Devido à luz que havia no porão, e às sombras… — Ele vacilou, e então disse, em voz mais áspera: — Deixe-me dizer uma coisa. Eu não estou certo nem de poder chamar aquilo de homem. (Os Luminares, página 378)

Em alguns desses casos, o trecho narrativo comum pode vir em um novo parágrafo ao invés de vir diretamente depois do diálogo, com uso do travessão.

EXEMPLO DE DIÁLOGO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO COMUM — Sim, como um ator. Ah Quee estudou-o. (Os Luminares, página 486)

2.4 Como pontuar diálogo precedido por trecho narrativo terminado em verbo dicendi/sentiendi
No caso de diálogo precedido por trecho narrativo terminado em verbo dicendi ou sentiendi, este trecho deve ser terminado com dois pontos. Se o trecho terminado em verbo dicendi ou sentiendi for um parágrafo não iniciado em diálogo, depois dos dois pontos pode ou não haver uma quebra de parágrafo para introdução do diálogo.

EXEMPLO DE DIÁLOGO PRECEDIDO POR TRECHO NARRATIVO TERMINADO EM VERBO DICENDI ou SENTIENDI Finalmente Balfour adentrou e fechou a porta. Löwenthal voltou a seu lugar e juntou as mãos. Ele disse: — Por muito tempo pensei que, para os judeus, o negócio de jornais fosse a ocupação perfeita. Sem edições aos domingos, veja só, de modo que combina perfeitamente com o sabá. Tenho pena de meus concorrentes cristãos. Eles devem passar os domingos montando os tipos e espalhando tinta, preparando-se para a segunda-feira; não têm descanso. Enquanto você vinha até aqui, era nisso que eu pensava. Sim, pendure sua sobrecasaca. Por favor, sente-se. (Os Luminares, página 211)

Caso o trecho seja uma interpolação do narrador, não há quebra de parágrafo.

EXEMPLO DE DIÁLOGO PRECEDIDO POR TRECHO NARRATIVO TERMINADO EM VERBO DICENDI ou SENTIENDI NA INTERPOLAÇÃO DO NARRADOR — Conversar com você nunca é trabalho — respondeu Löwenthal gentilmente, e em seguida, pela quarta vez, disse: — Mas você precisa entrar logo. (Os Luminares, página 211)

2.5 Como pontuar uma fala dividida em múltiplos parágrafos
Caso seja necessário dividir uma mesma fala em vários parágrafos, possibilidade introduzida no item 1.3, o primeiro parágrafo deve ser iniciado com travessão e todos os parágrafos subsequentes devem começar com abertura de aspas, que só se fecham ao final da fala, isto é, após o último parágrafo.

EXEMPLO DE FALA DIVIDIDA EM MÚLTIPLOS PARÁGRAFOS — Senhor Staines, o seu advogado — disse ele — fez nesta tarde um bom trabalho em construir uma péssima imagem para o senhor Carver. Não obstante seu desempenho, contudo, reside o fato de que uma motivação para infringir a lei não significa uma autorização para infringir a lei: sua má opinião do senhor Carver não lhe dá o direito de determinar o que ele merece ou não merece. “Você primeiramente não testemunhou a agressão à senhorita Wetherell, nem qualquer outra pessoa, ao que me parece, o testemunhou; portanto, não pode saber sem a sombra de uma dúvida se o senhor Carver foi, de fato, o autor dessa agressão, ou até mesmo se ocorreu uma agressão. É evidente que a perda de qualquer criança é uma tragédia, e uma tragédia não poder ser mitigada pela circunstância; mas ao julgar o seu crime, senhor Staines, devemos pôr de lado a trágica natureza do episódio e considerá-lo puramente como uma provocação, e como uma provocação indireta, devo dizer, para que você cometesse os crimes mais premeditados de desfalque e fraude como forma de retaliação. Sim, você teve motivação para antipatizar com o senhor Carver, para se ressentir dele e até mesmo para desprezá-lo; mas sinto que declaro um ponto muito óbvio quando digo que você poderia ter trazido o seu agravo à atenção da polícia de Hokitika e nos ter poupado um grande incômodo. “Sua declaração de culpa lhe dá algum crédito. Também reconheço que você demonstrou grande cortesia e humildade em suas respostas esta manhã. Tudo isto sugere contrição e deferência ao adequado cumprimento da lei. Suas acusações, contudo, mostram uma negligência egoísta de uma obrigação contratual, um temperamento excêntrico e decadente e improbidade administrativa, não somente em relação às suas concessões de mineração, mas também aos seus colegas. Sua má opinião sobre o senhor Carver, por mais justificada que possa ser, levou-o a aplicar a lei com as próprias mãos em mais de uma ocasião, e em respeito a mais de uma questão. À luz disso, considero que lhe fará muito bem abandonar por um tempo sua majestosa filosofia e aprender a andar com sapatos alheios. “O senhor Carver foi acionista da Aurora por nove meses. Ele cumpriu com a obrigação contratual que lhe era devida, e em troca foi mal-recompensado. Emery Staines, por este meio o sentencio a nove meses de servidão, a trabalhos forçados.” (Os Luminares, página 735-736)

2.6 Como pontuar diálogo dentro de diálogo
Para assinalar um discurso direto dentro de outro discurso direto, o segundo diálogo deve ser assinalado com aspas. Nesse caso, caso haja uma oração intercalada com verbo dicendi ou sentiendi, esta oração fica fora das aspas, entre vírgulas ou vírgula e ponto final.

EXEMPLO DE DIÁLOGO DENTRO DE DIÁLOGO — Não — disse o rapaz. — Mas o senhor Pritchard levou consigo uma garrafa inteira de láudano, e um punhado de pólvora, além disso. O homem nativo disse: “Ele precisa de remédios”, eu o ouvi dizer. Mas ele não disse quem precisava deles. E o senhor Pritchard ficava repetindo algo que absolutamente não entendi. (Os Luminares, página 629)

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3) USANDO ASPAS PARA SINALIZAR O DIÁLOGO

3.1 Posição das aspas
Quando o período é iniciado e terminado em aspas, mesmo com uma oração intercalada com verbo dicendi ou sentiendi, a pontuação final — seja reticências, ponto final, de exclamação ou de interrogação — é colocada antes do fechamento das aspas.

EXEMPLO DE PERÍODO INICIADO E TERMINADO EM ASPAS COM PONTO FINAL “Algo parecido.” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 139)

EXEMPLO DE PERÍODO INICIADO E TERMINADO EM ASPAS COM PONTO DE EXCLAMAÇÃO “Você me expôs!” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 282)

EXEMPLO DE PERÍODO INICIADO E TERMINADO EM ASPAS COM PONTO DE INTERROGAÇÃO “Já tem um próximo encontro previsto?” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 139)

EXEMPLO DE PERÍODO INICIADO E TERMINADO EM ASPAS COM RETICÊNCIAS “Se você quiser discutir sua nota com ela...” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 218)

Caso o início do período não coincida com a abertura das aspas, então a pontuação final deve vir após o fechamento das aspas, independentemente da pontuação que finaliza o diálogo (reticências, ponto final, de exclamação ou de interrogação).

EXEMPLO DE PERÍODO QUE NÃO SE INICIA COM ASPAS Seguiam por uma rua engarrafada, a poucos quarteirões de seu destino, quando ela resolveu perguntar: “Você nunca foi ao Entremundos, não é?”. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 267)

3.2 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo com verbo dicendi/sentiendi
De forma análoga ao que acontece com o diálogo iniciado pelo travessão, o diálogo seguido de trecho narrativo com verbo dicendi ou sentiendi não deve ser pontuado com ponto final e o trecho narrativo subsequente deve sempre começar com uma vírgula do lado de fora do primeiro par de aspas seguida de letra minúscula, mesmo quando o diálogo termina com ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências.

EXEMPLO DE DIÁLOGO SEM PONTUAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI OU SENTIENDI “Continue”, disse Jaques. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 96)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE EXCLAMAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI OU SENTIENDI “Mas é o mesmo cheiro de Fabrício!”, ela gritou. “O cheiro que tinha na semana antes de morrer.” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 94)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE INTERROGAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI OU SENTIENDI “E quem lança isso hoje em dia?”, perguntou Jaques. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 92)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM RETICÊNCIAS SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO DICENDI OU SENTIENDI “É...”, foi o que ele conseguiu dizer, seu coração a mil por hora. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 154)

3.3 Como pontuar diálogo seguido de trecho narrativo comum
Ainda de forma análoga ao que acontece com o diálogo iniciado pelo travessão, o diálogo seguido de trecho narrativo comum deve ser pontuado (com ponto final, interrogação, exclamação ou reticências) e o trecho narrativo deve ser, necessariamente, iniciado com caixa alta. Nesse caso, não há vírgula entre o diálogo e o trecho narrativo.

EXEMPLO DE DIÁLOGO SEM PONTUAÇÃO ESPECIAL SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUM “Vamos lá, cãozinho, seja obediente.” Ouviu o atacante gritar, mantendo-se firme na dissipação de energia. Quando a poeira dourada se desfez junto com o pesadelo, ele finalmente pôde ver o rosto de seu salvador. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 165)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE EXCLAMAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUM Tiago cortou a fila por fora, guiado por pontos cintilantes. Sentiu alguém puxá-lo para trás e deu de cara com uma medusa: “Pro final!”, ela gritou. “Fura fila!” Por um momento, não conseguiu desviar os olhos das serpentes que saíam de sua cabeça. Então, ouviu a voz de Jaques. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 324)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM PONTO DE INTERROGAÇÃO SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COMUM “Por que me segue, humano?” A voz desafinada do fila ecoou direto na mente do exorcista. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 164)

EXEMPLO DE DIÁLOGO TERMINADO EM RETICÊNCIAS SEGUIDO DE TRECHO NARRATIVO COM VERBO COMUM “Foi por aqui que...” Ela se virou de costas e sua imagem desapareceu. Sabia o que estava prestes a acontecer. Conhecia a teoria aprendida nos livros. Ainda assim, não conseguia controlar a ansiedade. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 59)

3.4 Como pontuar diálogo precedido por trecho narrativo terminado em verbo dicendi/sentiendi
No caso de diálogo precedido por trecho narrativo terminado em verbo dicendi ou sentiendi, este trecho deve ser terminado com dois pontos. Se o trecho terminado em verbo dicendi ou sentiendi for um parágrafo não iniciado em diálogo, depois dos dois pontos pode ou não haver uma quebra de parágrafo para introdução do diálogo. Caso o trecho seja uma interpolação do narrador, não há quebra de parágrafo.

EXEMPLO DE DIÁLOGO PRECEDIDO POR TRECHO NARRATIVO TERMINADO EM VERBO DICENDI OU SENTIENDI Vendo que ele não se manifestaria, ela prosseguiu: “Acha que morreram aqui dentro?” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 74)

EXEMPLO DE DIÁLOGO PRECEDIDO POR TRECHO NARRATIVO TERMINADO EM VERBO DICENDI OU SENTIENDI NA INTERPOLAÇÃO DO NARRADOR “Ei, quer dar uma saída amanhã à noite?” Em resposta à cara de paisagem que recebeu em troca, completou: “Pensa no assunto.” E se enfiou no meio dos fãs. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 119)

3.5 Como pontuar uma fala dividida em múltiplos parágrafos
Caso seja necessário dividir uma mesma fala em vários parágrafos, possibilidade introduzida no item 1.3, todos os parágrafos (inclusive o primeiro) devem começar com abertura de aspas, que só se fecham ao final do último parágrafo da fala.

3.6 Pensamentos
Em geral, pensamentos devem ser demarcados com aspas ou sem sinal tipográfico algum. No primeiro caso, a pontuação deve seguir as regras de pontuação para diálogos marcados com aspas.

EXEMPLO DE PENSAMENTO MARCADO COM ASPAS (EM UMA OBRA COM USO DE TRAVESSÃO NOS DIÁLOGOS) “Ora”, pensou Frost enquanto ela se sentava, “ela está faminta!” Ele relanceou o olhar para Nilssen, tencionando encontrar os olhos do outro homem, mas Nilssen estava franzindo o cenho a Anna, com uma expressão de solene perplexidade no rosto. Tarde demais, Frost lembrou-se de sua incumbência e voltou-se para a viúva — que, no breve momento em que a cabeça de todos estava voltada para a porta, fizera alguma coisa. Sim: ela fizera alguma coisa, certamente, pois ela alisava o vestido de uma maneira tensa e satisfeita, e sua expressão subitamente se tornara vivaz. O que ela havia feito? O que ela havia adulterado? Sob a tênue luz, ele não conseguiria dizer. Frost maldiçoou-se por haver olhado para o outro lado. Este era justamente o tipo de subterfúgio que Pritchard havia previsto. Ele jurou não desviar o olhar uma segunda vez. (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 119)

3.7 Diferença entre a pontuação de diálogos no inglês e no português brasileiro
Embora a demarcação dos diálogos com aspas seja uma tendência contemporânea, de matriz-anglo-saxã, há diferenças entre a padronização de pontuação de diálogos no inglês e no português brasileiro. Assim sendo, os padrões usados em livros publicados em inglês (ou qualquer outro idioma) não devem ser utilizados como exemplo para pontuação de diálogos escritos em português.

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4) AGRADECIMENTOS E REFERÊNCIAS
Quando comentei nas redes sociais que gostaria de compilar as regras de pontuação de diálogos, fui contatada por muitos amigos e profissionais do mercado literário dispostos a ajudar. Agradeço à Isa Próspero, à Taissa Reis, ao Michel Costa e ao Hugo Maciel de Carvalho pelo compartilhamento de suas experiências e materiais de referência. Agradeço ainda à Regiane Winarski e à Luísa Dentello por oferecerem ajuda, ao Eric Novello por facilitar minha busca por exemplos no livro dele e ao Bruno Matangrano por ser o santo e paciente leitor beta desse texto. Por último, agradeço ao Lee por ter me ajudado na formatação desse post. Qualquer bobagem escrita aqui é culpa minha, e não de nenhum deles. Deixo aqui o link de todos, caso estejam procurando serviços editoriais oferecidos por pessoas muito competentes.

Se você achar algum erro nesse material ou se quiser conversar sobre o assunto, pode deixar um comentário aqui no post ou entrar em contato comigo pelo Twitter ou pelo meu email, janayna.pin@gmail.com. Se você chegou no site por causa desse artigo e ainda não conhece o Curta Ficção, dê uma chance pra esse podcast de literatura que cabe no seu tempo. Quinzenalmente, publicamos episódios de 30 a 50 minutos sobre escrita, literatura e mercado editorial. 🙂

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53 thoughts on “[DICA DE ESCRITA] Como pontuar diálogos

    1. Oi, Gleyzer!
      Que bom que curtiu! Espero que seja útil pro pessoal! 🙂
      Abração!
      Jana

    1. Oi, Carlos!
      Imaginaaa, obrigada por comentar! Espero que seja útil pra você e pro pessoal! 🙂
      Beijãooo!
      Jana

  1. Artigo espetacular, Jana. Sou revisor/escritor e te digo que a falta de um material completo como este para o tema tem gerado muitas controvérsias na pontuação; a maioria pensa que tanto faz colocar assim ou assado e não se dá ao trabalho de pesquisar ou analisar criticamente o que encontra. Parabéns por este artigo indispensável.

    1. Fala, Sario, tudo bom? Caramba, só vi o seu comentário agora! Desculpa a demora!
      Poxa, que bom que você curtiu! Brigadão por comentar! <3
      Abraçãoooo!

  2. Este material merecia um pdf pra imprimir e facilitar a consulta para quem está com a mão na massa (ou na folha de papel, ou no teclado, hehehe!) 🙂

    1. Fala, Mike! Eita, eu não tinha pensando nisso, mas agora que você falou eu achei uma ótima ideia! Vou diagramar ele bonitinho e logo vamos disponibilizar esse arquivinho (provavelmente com o próximo episódio do Curta, que TALVEZ tenha a ver com o assunto… hehehe…) Obrigada pelo comentário! 🙂
      Beijão!
      Jana

  3. Muito bom! Há alguns meses (quando percebi que não tinha a menor ideia do que eu estava fazendo com pontuação de diálogos) eu procurei algo do tipo, e não encontrei nada tão completo e fácil de entender quanto este artigo. Tenho certeza que vai ser útil pra muita gente!

    1. Oi, Thiago, tudo bom? Poxa, que bom que curtiu! Você definiu muito bem como eu me sentia quando comecei hahaha não fazia ideia de como pontuar! rs… Obrigada mesmo por comentar! 🙂

  4. Oi, Janayna! Estava procurado há algum tempo um guia tão completo, e explicado de forma simples! Muito obrigado.
    Tenho uma pequena dúvida em relação aos verbos dicendi. Quando um personagem fala pela primeira vez, por exemplo, e tentamos descrever sua voz, devemos considerar como verbo dicendi? Segue exemplo:

    – Bom dia, garota! Espero que esteja pronta para hoje – a voz rouca de Fulano soava como um trovão e carregava um tom de grande importância.

    Ou ao descrevermos sua voz, estamos em um trecho narrativo, e devemos seguir dessa forma:

    – Bom dia, garota! Espero que esteja pronta para hoje. – A voz rouca de Fulano soava como um trovão e carregava um tom de grande importância.

    Tenho essa mesma dúvida para verbos de ação que sucedem o diálogo.

    Exemplo 1:

    – Confie em mim, eu sei o que preciso fazer para vencer – ela assentiu para Fulano
    – Confie em mim, eu sei o que preciso fazer para vencer. – Ela assentiu para Fulano.

    Exemplo 2:

    – Se perder, você vai treinar por duas semanas sob o sol – Fulano ofereceu um raro sorriso.
    – Se perder, você vai treinar por duas semanas sob o sol. – Fulano ofereceu um raro sorriso.

    Obrigado!

    1. Oi, Luiz, tudo bom?

      Primeiro: que bom que o artigo ajudou! 🙂

      E suas dúvidas são ótimas; também sempre as tive! Mas é simples: nos dois casos, o correto é o segundo jeito (com pontuação e maiúscula). O formato sem ponto final e minúscula fica só nos casos do uso do verbo dicendi/sentiendi bem diretamente. Sempre que houver uma descrição — mesmo que do jeito do personagem de falar, ou da reação que não seja exclusivamente vocal (ou de sentimento, né) — sai desse caso, e portanto é grafado com ponto e maiúscula. Vou até ver se coloco algum exemplo assim no artigo, porque realmente é um caso que deixa dúvidas!

      E obrigada por ter comentado, viu?

      Abração!
      Jana

  5. É o terceiro resultado do Google quando se pesquisa “regras pontuação diálogos”, mas devia ser o primeiro. Muito bom o artigo! Acabei de perceber que escrevi mais de 100k de palavras com a pontuação de diálogos errada… kkkkkk Mas sempre há tempo para corrigir. Muito obrigado pelo artigo, Jana!

    1. Oi, Gustavo, tudo bom? Opaaaaa, que bom que ajudou! E relaxa, acho que todo mundo já escreveu um monte com a regra dos diálogos errada, viu? rs Boa sorte na revisão e na escrita! E obrigada por comentar! <3
      Beijo!
      Jana

    1. Oi, Francisco!

      Ahhhh, que bom que ajudou! Obrigada por comentar! 🙂

      Boa escrita pra você!
      Jana

  6. Jana, muito obrigada! Sempre tive muitas dúvidas em relação à pontuação de diálogos e seu artigo me ajudou muito. Aproveito o momento para tirar uma dúvida. Segue abaixo um trecho do texto que uma pessoa me pediu para revisar:

    ― Não faça mais isso. ― Baixou a mão, vendo que a garota havia empalidecido por conta do susto. ― Eu poderia ter te machucado. De novo, aliás. ― Virou-se de costas para ela, ajeitando novamente as faixas que enrolavam seu braço.

    Pergunta 1:
    O ponto final antes do primeiro travessão e a palavra “Baixou” com letra maiúscula estão corretos??

    Pergunta 2:
    O ponto final antes do segundo travessão e a palavra “Virou-se” com letra maiúscula estão corretos??

    Não vejo nenhum verbo dicendi, mas fiquei com receio…

    Mais uma dúvida: se depois do travessão estiver escrito “Ele disse”, a palavra “ele” deve ser escrita com letra maiúscula ou minúscula?
    Depois do pronome (Ele) tem um verbo dicendi, é evidente, mas pelo fato do verbo não estar ligado diretamente ao travessão, fiquei em dúvida.

    Exemplo:

    ― Não faça mais isso. ― Ele disse.

    Ou deve ser…

    ― Não faça mais isso ― ele disse.

    Se puder sanar essas questões, ficaria muito grata! Obrigada <3

    1. Oi, Camila, tudo bom?

      Ebaaaa, que bom que ajudou! 🙂

      Quanto às dúvidas, vamos lá:

      1) Sim, certinho! “Baixou”, como um verbo não dicendi, compreende que a fala que vem antes é pontuada e a atribuição começa com maiúscula.
      2) Também certinho! É exatamente o mesmo caso de cima!

      E sobre à dúvida adicional: o “ele”, nesse caso, é grafado com minúscula mesmo, mesmo que o verbo venha depois, exatamente como no segundo exemplo que você deu (“― Não faça mais isso ― ele disse.”). Existem algumas editoras que padronizam a ordem “verbo” + “pronome/sujeito” (nesses casos, o correto seria “― Não faça mais isso ― disse ele.”), mas esse não é um padrão obrigatório — vale só ficar de olho no manual de redação da editora ou da revista etc caso tenha essa padronização especificada.

      Espero ter ajudado! 🙂

      Beijão!

  7. Oi Jana, tudo bem?

    Uau, que artigo incrível! Aprendi muito com ele, obrigada. 🙂

    Fiquei com uma dúvida sobre diálogo com aspas interrompido por trecho narrativo. Eu devo colocar a vírgula antes ou depois das aspas na segunda parte do diálogo?

    Exemplo:

    “O que eu quero dizer”, Bô continuou, “é que você não precisava usar um tubo reforçado naquela pressão, só isso. Você usou, parabéns—mas não precisava.”

    1. Oi Lígia, tudo bom?
      Desculpa a demora!

      Oba, que bom que ajudouuuu! Eu volto muito nele pra lembrar coisas que a gente usa menos também hahaha…

      E vamos lá: o exemplo que você colocou está certinho! No caso das aspas (em português), a vírgula fica sempre fora mesmo. Ou seja, a vírgula depois das aspas, exatamente como você fez. Esse é um exemplo “capcioso” porque, em inglês, a vírgula (e o ponto final também) fica sempre dentro das aspas. Então dá uma má impressão se você está acostumada a ler em inglês, mas em português é isso mesmo!

      Espero ter ajudado!

      Abração! 🙂
      Jana

  8. Eu nunca comentei em textos da net, mas me vi na obrigação de deixar um agradecimento neste CONTEÚDO MARAVILHOSO. Parabéns! Você nem imagina o quanto isso me ajudou e ainda vai me ajudar.
    OBRIGADO!

    1. Oi, Leonan, tudo bom?

      Ahhhh que bom que te ajudoooou! Eu ainda me pego voltando pra esse artigo toda hora hehehe… obrigada por comentar, viu?

      Abração!
      Jana

  9. Olá, bom dia!

    Gostaria de saber porque em alguns casos de diálogos ou pensamentos descritos com aspas há ponto final depois das aspas e as vezes não, mas sempre que não há verbo dicendi. Exemplo:

    “Eu queria comer”, pensou Vitor. “Infelizmente não tenho dinheiro para comprar nada no momento” E ele se levantou e se foi.
    “Eu queria comer”, pensou Vitor. “Infelizmente não tenho dinheiro para comprar nada no momento”. E ele se levantou e se foi.

    Qual seria a diferença? vejo em muitas reportagens o segundo caso.

    1. Oi, Vitor, tudo bom? Ixe, então, o correto seria ser sempre como no segundo caso. Só não teria ponto (mas teria vírgula depois das aspas) se a segunda intervenção também fosse um verbo dicendi, tipo:

      “Eu queria comer”, pensou Vitor. “Infelizmente não tenho dinheiro para comprar nada no momento”, acrescentou.

      Caso contrário, o certo seria como você colocou no segundo caso mesmo:

      “Eu queria comer”, pensou Vitor. “Infelizmente não tenho dinheiro para comprar nada no momento”. E ele se levantou e se foi.

  10. Olá, bom dia!

    Tenho uma duvida referente a pontuação quando o dialogo ou pensamento é feito com aspas. Como você mesmo disse ao longo da explicação, quando o período não se inicia com aspas, o ponto final fica fora das aspas:

    Ele pensou: “Eu quero que todo mundo sai daqui”.

    Porém há um exemplo que o exemplo é quase idêntico a esse que escrevi, porém o ponto vem antes do fechamento das aspas:

    Ele pensou: “Eu quero que todo mundo saia daqui.” Todos o olharam como se tivessem escutado.

    O correto não seria o ponto vir depois, por mais que tenha a regra que o ponto final vai antes das aspas quando não tem verbo dicendi após a fala ou pensamento?

    Ele pensou: “Eu quero que todo mundo saia daqui”. Todos o olharam como se tivessem escutado.

    1. E nesse outro caso, o que eu entendo é que o correto é mesmo o segundo caso:

      Ele pensou: “Eu quero que todo mundo saia daqui”. Todos o olharam como se tivessem escutado.

      Às vezes, e isso vai depender um pouco dos guias de estilo das editoras, você vai encontrar inclusive uma pontuação dentro e outra fora das aspas, tipo:

      Ele pensou: “Saiam todos daqui!”. Todos o olharam como se tivessem escutado.

      E o mesmo pra interrogação, por exemplo.

      Espero ter ajudado! 🙂

  11. Me resolvam uma dúvida, como usar o sina ***, asteriscos, para mudar os parágrafos dando ideia de passagem longa de tempo, como no exemplo abaixo, está correto? Os asteriscos podem ficar juntinhos assim, centralizados?

    Fulano morreu. No seu túmulo nasceu uma rosa negra. Quem era ele, ninguém sabia. No futuro, alguém colheria aquela rosa negra?

    ***

    Mil anos atrás existira um túmulo ali, um cemitério. Uma rosa negra nascera. Hoje uma mulher aproximou-se do lugar, uma nova rosa nascera, mas não era negra, era branca.

    1. Oi, Roger, tudo bom?

      Então, isso não é considerada uma questão de regra, é mais uma conveniência de cada editora. Geralmente isso vem no manual de estilo pro tradutor ou preparador do texto, raramente é uma questão com que o autor precisa se preocupar! Um asterisco ou três centralizados parece uma boa escolha, porém. 🙂

      Abração!
      Jana

  12. Oi Jana, bom dia,

    Sou escritor e encontrei seu guia de como pontuar diálogos.
    Adorei, muito esclarecedor.

    Fiquei com uma dúvida.
    Há dois exemplos que para mim são iguais, mas que você pontua de maneira diferente.
    Você poderia me explicar por quê?

    São eles:
    Último exemplo do item 3.1.
    EXEMPLO DE PERÍODO QUE NÃO SE INICIA COM ASPAS
    Seguiam por uma rua engarrafada, a poucos quarteirões de seu destino, quando ela resolveu perguntar: “Você nunca foi ao Entremundos, não é?”.
    (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 267)

    Primeiro exemplo do item 3.4.
    EXEMPLO DE DIÁLOGO PRECEDIDO POR TRECHO NARRATIVO TERMINADO EM VERBO DICENDI OU SENTIENDI
    Vendo que ele não se manifestaria, ela prosseguiu: “Acha que morreram aqui dentro?” (Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues, página 74)

    Agradeço sua ajuda.

    Rogério Coelho

    1. Oi, Rogério, tudo bom?

      Você tem razão, o segundo exemplo tá errado mesmo! O correto seria que em ambos os exemplos do tópico 3.5, houvesse um ponto final depois das aspas. Eu que comi bola quando transcrevi, provavelmente! Fui até consultar o manual de estilo que mais uso aqui, e é realmente isso. Copiando aqui o trecho: “Note que, mesmo se o diálogo terminar com ponto de interrogação, ponto de exclamação ou reticências, depois das aspas deve haver um ponto final encerrando o período”.

      Ou seja, no exemplo que você copiou, de fato seria:

      Vendo que ele não se manifestaria, ela prosseguiu: “Acha que morreram aqui dentro?”.

      Depois vou arrumar isso no manual aqui, obrigada pelo toque! 🙂

      Abração!
      Jana

  13. Olá, bom dia. Mais uma vez vou te incomodar um pouco tirando uma dúvida kkkk.

    Então, gostaria de saber sobre a letra maiúscula oi minúscula quando o verbo dicenti vem depois do diálogo, só que em ordem invertida, por exemplo

    – eu te amo – disse Vitor. (Esse é o normal.)
    Agora no invertido seria como?

    – eu te amo – Vitor disse.
    Ou
    – eu te amo. Vitor disse.

    Outros exemplos

    – eu te quero – ele disse.
    Ou
    – eu te quero. – Ele disse.

    – Eu não quero ir – estava cantando Vitor.
    Ou
    – Eu só quero ir. – Estava cantando Vitor.

    Percebe? Nesses casos em que há verbo dicenti, porém ele não vem logo depois do travessão do diálogo, a regra segue a mesma, padrão, letra minúscula e ponto final ao fim do texto narrado ou a regra fica a de quando não tem verbo dicenti, com a letra maiúscula e o ponto no fim do diálogo?

    1. Oi, Vítor, tudo bom?
      Não é incômodo nenhum hehehe…

      Então, sempre a letra minúscula é da primeira palavra do que vem depois do travessão (a menos, óbvio, que seja um nome próprio e tal). Então, nos exemplos que você deu, todos os corretos são as primeiras opções!

      Aproveito pra dar uma info adicional (que até devo atualizar no meu manual depois): algumas editoras pedem a padronização do verbo dicendi antes, sempre que possível. Então preferem “disse Vitor” em vez de “Vitor disse”. Não tá errado o segundo, mas é uma preferência de padronização mesmo. Acho que valia acrescentar hehehe…

      Abração!
      Jana

  14. Oi, Janayna!
    Estou escrevendo um livro e tenho uma dúvida. É um diálogo entre um rei, seu filho príncipe e a sogra do príncipe. Vou enviar o trecho completo, mas, antes, vou postar a dúvida de uma vez para ficar mais fácil. É que não sei se devo colocar um ponto depois de “sofreram”, ficando: “… sofreram. — E pergunta a Dante:”, ou se devo deixar sem ponto, ficando: “… sofreram — e pergunta a Dante:”, ou seja, se o “e” deve ser maiúsculo ou minúsculo. Segue o trecho completo:

    “Zaila se aproxima do rei, segura em suas mãos e diz:
    — Majestade, muito obrigada por tudo! — e as beija. Apesar de já estar acostumado com esse tipo de atitude, o rei se sente muito admirado com a humildade de Zaila. Ele responde:
    — Não foi nada, senhora Zaila. Isso foi o mínimo que poderíamos fazer para reparar um pouco do dano que vocês sofreram — e pergunta a Dante: — Dante, onde elas vão ficar?”

    Desde já agradeço e parabéns pelo página! Foi a página mais completa sobre diálogos que já vi, e olha que já vi várias!

    1. Oi, Flávio, tudo bom? Hahaha que bom que ajudou! 🙂

      Tá, vamos lá. Primeiro, no diálogo inteiro que você mandou, o “E as beija” precisaria começar com maiúscula, já que beijar é um verbo não dicendi. Sobre o trecho específico que você perguntou, tem sim um ponto depois de “sofreram”, e o “E pergunta a Dante:” começaria com maiúscula porque ele não é uma atribuição do trecho anterior, e sim do que vem depois.

      Agora, se puder dar duas sugestões que não têm a a ver com a pontuação em si, seriam:
      1) Tente evitar várias atribuições antes e depois de um mesmo diálogo. A primeira parte do seu texto ficaria mais simples, mais direta e menos confusa se fosse:

      “Zaila se aproxima do rei e segura em suas mãos.
      — Majestade, muito obrigada por tudo! — diz, e as beija.” (nesse caso, o diz fica em minúscula, e o “e as beija” obviamente acompanha).”

      2) Tente evitar atribuições redundantes. O “Ele responde” é supérfluo. E o próprio “E pergunta a Dante” mesmo é uma atribuição totalmente redundante porque: a) sabemos que é uma pergunta, termina com uma interrogação e b) sabemos que é para o Dante, porque o personagem enuncia isso.

      Assim, se eu fosse preparar esse texto, deixaria ele parecido com o seguinte:

      “Zaila se aproxima do rei e segura suas mãos.
      — Majestade, muito obrigada por tudo! — diz, e as beija. Apesar de já estar acostumado com esse tipo de atitude, o rei se sente muito admirado com a humildade de Zaila.
      — Não foi nada, senhora Zaila. Isso foi o mínimo que poderíamos fazer para reparar um pouco do dano que vocês sofreram. Dante, onde elas vão ficar?”

      Espero que tenha ajudado! 🙂

      Abração!
      Jana

    2. Oi, Flávio. Não sou desse site, que por sinal é excelente, mas sou escritor e percebo que sua dúvida é fácil de resolver. Aliás, uma dica que eu te dou é retirar o nome Dante na fala da personagem, pois fica repetitivo.

      Veja como ficaria:

      — Não foi nada, senhora Zaila. Isso foi o mínimo que poderíamos fazer para reparar um pouco do dano que vocês sofreram. — E pergunta a Dante: — Onde elas vão ficar?

      ***
      Dê uma olhada no site da escritora Ronize Aline. Ela trata da pontuação de diálogos de forma muito clara.
      Veja:
      https://www.ronizealine.com/2016/02/dialogos-como-pontuar-corretamente.html

      1. Filipe Costa, eu já havia visto o site que vc citou. Mas obrigado pelo comentário!

  15. Que artigo sensacional! Aprendi muito com suas explicações e você já salvou minha vida várias vezes com esse artigo.

    A única dúvida que tenho é o que eu faço quando ao invés de verbos dicendi e sentiendi, há um verbo de ação. É aplicável as letras minúsculas a eles também? Como, por exemplo:

    — Mas a única coisa que você precisa saber é que o Johnny ama o irmão dele mais do que tudo nesse mundo! Doyoung é a vida dele. Então apenas observe, as coisas irão se resolver logo logo — deu um simples beijo na bochecha do coreano e voltou a encará-lo. — Você tem razão, eu confio nele. E alguma vez eu já te decepcionei? — fez a pergunta enquanto ainda o encarava.

    Ou o correto seria:

    — Mas a única coisa que você precisa saber é que o Johnny ama o irmão dele mais do que tudo nesse mundo! Doyoung é a vida dele. Então apenas observe, as coisas irão se resolver logo logo. — Deu um simples beijo na bochecha do coreano e voltou a encará-lo. — Você tem razão, eu confio nele. E alguma vez eu já te decepcionei? — Fez a pergunta enquanto ainda o encarava.

    Muito obrigada desde já!

    1. Oi, Kel!

      Oba, que bom que te ajuda! 🙂

      Então, o correto na verdade é uma terceira opção ainda. Você tem que fazer a análise de cada atribuição de diálogo independentemente, e não aplicando a mesma regra pra um parágrafo inteiro. Nesse caso específico, a primeira atribuição deveria ser com letra maiúscula e pontuação e a segunda com letra minúscula:

      — Mas a única coisa que você precisa saber é que o Johnny ama o irmão dele mais do que tudo nesse mundo! Doyoung é a vida dele. Então apenas observe, as coisas irão se resolver logo logo. — Deu um simples beijo na bochecha do coreano e voltou a encará-lo. — Você tem razão, eu confio nele. E alguma vez eu já te decepcionei? — fez a pergunta enquanto ainda o encarava.

      Espero ter ajudado! 😀

      Abração,
      Jana

  16. Escrevo livros pedagógicos… Em algumas falas, um dos personagens se destaca pro falar ERRADO…. Como devo DESTACAR suas falas ? “Sublinhadas” ou entre ASPAS ?

    1. Oi, João, tudo bom?

      Então, não consigo te ajudar muito porque isso não tem muita relação com pontuação de diálogo, e na verdade vai depender muito do manual de estilo da editora. Sublinhado certamente não é, não é um padrão que as editoras costumam usar em nenhuma hipótese. Eu, provavelmente, usaria itálico. Recomendo que você fale com a editora!

      Abraços!
      Jana

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